Muita gente já ouviu falar neste animal maravilhoso. Mas a maior parte do que se pensa sobre ele não condiz com a realidade. O
lobo-guará (
Chrysocyon brachyurus)
é o maior e mais belo canídeo selvagem brasileiro e o mais alto do
mundo. Última espécie de seu gênero, o lobo-guará possui pelagem
vermelho-ouro, focinho preto, pernas longas e pretas e grandes orelhas
apontadas para cima. A extremidade da cauda é mais clara que o resto do
corpo.
Um lobo-guará adulto pode ter até 80 cm de altura (das
patas às pontas das orelhas), 2 m da ponta da cauda até o focinho e
pesar até 25 kg - sim, trata-se de um canídeo esbelto!
Lobo-guará não é lobo
Apesar
de seu nome, o guará não é lobo e há muitas diferenças entre essas duas
espécies. Seu grau de parentesco com os canídeos lupinos se estende até
a família
Canidae. A partir daí, o gênero muda (o lobo é do gênero
Canis e o guará é pertence ao
Chrysocyon).
Esses
animais são tão diferentes em termos genéticos que um cruzamento entre
guará e lobo não produziria filhotes. Para se fazer uma idéia do quanto
esse fato determina um parentesco, se um cachorro (
Canis familiaris) acasalar com um lobo (
Canis lupus), nascerão filhotes - tanto o cão como o lobo pertencem ao mesmo gênero.
Enquanto
os lobos vivem em matilhas e mantêm relações sociais complexas entre
si, os guará vivem sozinhos. A exceção é a época de acasalamento, quando
são encontrados aos pares. Mais: o
Canis lupus é apenas carnívoro. Já o
Chrysocyon brachyurus é onívoro (alimenta-se de frutos,
insetos e pequenos
mamíferos).
O lobo-guará é agressivo?
Muita
gente pensa que os lobos-guará são implacáveis comedores de galinhas.
Há até mesmo quem acredite que esses animais atacam as pessoas. Entra-se
nesse momento em um assunto delicado.
Os lobos-guará não atacam
seres humanos. De temperamento tímido e arredio, apenas rosnam quando
acuados e ameaçam avançar para proteger seus filhotes. Esses canídeos
podem desenvolver um relacionamento amistoso com seres humanos, como
acontece em uma estação da Companhia Elétrica de Minas Gerais (Cemig).
Nesse lugar, todas as noites, os funcionários recebem visitas de uma
fêmea de lobo-guará e a presenteiam com petiscos.
Alimentação do lobo-guará
Um
estudo publicado na revista científica Fapesp, realizado pelo
pesquisador e professor do Instituto de Biociências da Universidade de
São Paulo, José Carlos Motta Júnior, mostrou que a dieta dos lobos-guará
divide-se em 50% de animais e 50% de frutos.
Dos animais
predados por eles, apenas 1,9% correspondem aos galináceos. E tem mais:
para cada galinha, esse canídeo mata de 50 a 70 ratos. Isso comprova sua
importância no controle populacional desses animais (e como
conseqüência, para a saúde humana).
Além disso, o
Chrysocyon brachyurus é um importante dispersor das sementes dos frutos típicos do
Cerrado - principalmente a lobeira e a gabiroba (Campomanesia spp).
Raiva (hidrofobia)
Todos
temem a raiva, ou hidrofobia. E o lobo-guará pode, sim, contrair raiva.
Essa doença o atinge por causa da atitude irresponsável dos seres
humanos que abandonam cachorros em reservas e parques de preservação.
Não fosse por isso, o lobos-guará não seriam contagiados.
Como
todo animal quando está raivoso, o maior canídeo sul-americano apresenta
comportamento anormal. A boa notícia é que há programas de vacinação
para os lobos-guará - especialmente nas áreas em que o contato com as
pessoas é maior. Mesmo assim, é bom evitar interagir com eles. Deixar
animais selvagens em paz é uma forma de evitar acidentes.
Ameaça de extinção
O
lobo-guará habitava o leste da Bolívia, o norte da Argentina, o
Paraguai e a região Centro-Oeste do Brasil. Devido à caça predatória e a
destruição progressiva de seu habitat natural, o canídeo mais alto do
mundo está extinto nas três primeiras regiões citadas.
Ele ainda
existe no Brasil e luta para sobreviver. A degradação ambiental continua
a ameaçá-lo, bem como a caça ilegal. As previsões são de que nosso
"lobo" deixe de existir em menos de 100 anos.
Lobo-guará em cativeiro
Há
quem acredite que os zoológicos são uma esperança de preservação. Mas
um lobo-guará confinado em uma jaula é uma triste visão. Esses animais
são exímios andarilhos noturnos e sua "jaula" na natureza tem, de 30 a
110 km2. Essa é a área que um casal de lobos-guará ocupa e precisa para
viver.
Proibido de andar, correr e caçar, os músculos das longas
pernas se atrofiam. O animal pode perder a visão ou, ainda, morrer
vítima de depressão. As melhores maneiras de salvar o lobo-guará,
segundo ecólogos e biólogos, são a conscientização das pessoas, e a
educação ambiental para as crianças.
Para saber mais, entre em contato com a ong
Pró-Carnívsoro , especializada no manejo e conservação desses animais.